Reportagem

Reportagem fotográfica: biquínis artesanais no litoral baiano

Isabela Moura · 10 de junho de 2026

Reportagem visual do Areia Visual sobre biquínis e cultura de praia no Brasil.

As imagens que acompanham este texto foram produzidas em campo, com consentimento das pessoas fotografadas.

O mercado de moda praia brasileiro mistura produção industrial e trabalho artesanal. Nas praias do Nordeste, crochê e renda ainda têm presença forte.

Esta edição faz parte de uma série sobre como o biquíni é vivido fora das capas de revista.

Na costa do Sul da Bahia, biquínis artesanais ainda são feitos em casa. Não em escala industrial — em escala humana. O Areia Visual passou dez dias entre Trancoso e Itacaré registrando esse trabalho.

As fotografias mostram mãos no crochê, varal no quintal, prova na praia vazia ao amanhecer. O texto acompanha sem explicar demais: a imagem carrega.

Conversamos com Dona Raimunda, 62 anos, que aprendeu com a mãe. "Cada peça leva dois dias", diz. "Não dá para competir com preço de shopping, mas dá para competir com história."

Jovens de São Paulo compram para lua de mel; moradoras locais compram para o verão inteiro. O significado muda conforme quem veste.

Esta reportagem faz parte da série "Artesanato de Areia". Próxima edição: renda em Maraú.

As fotos desta série não mostram rostos sem autorização. Rosto desfocado ou de costas quando a pessoa pediu anonimato parcial.

O trabalho artesanal enfrenta concorrência de importados baratos. Mesmo assim, Dona Raimunda mantém lista de espera. Clientes dizem que valorizam história e encontro pessoal.

Documentamos também o transporte até a praia: sacola de pano, areia no chão do quintal, criança ajudando a segurar linha do crochê.

Matéria-prima: linha, agulha, tempo. Preço reflete horas, não só metro de tecido.

Entrevistadas pediram crédito nas fotos — prática padrão aqui.

Chuva interrompeu sessão de fotos em Itacaré por dois dias. Esperamos secar — luz pós-chuva ficou melhor que planejado.

Artesãs jovens aprendem pelo WhatsApp com tias em outros estados. Tradição e tecnologia coexistem.

Na vila onde Dona Raimunda mora, cinco mulheres ainda trabalham com crochê de praia. Duas décadas atrás eram quinze. O declínio é lento, mas real — exceto quando turismo de alto padrão busca peça exclusiva.

Isabela fotografou ao amanhecer para evitar turista no fundo. Luz lateral destacou textura do fio. Nenhum filtro de pele foi aplicado.

Peça artesanal molha como qualquer outra. Cuidado pós-mar: enxágue em água doce, secar à sombra. Dona Raimunda ensina isso a cada compradora.

O biquíni de crochê não é para competir em prova de natação. É para caminhar na orla, tomar água de coco, sentar na areia. Função define forma.

Esta matéria não lista preço nem indica loja. Quem quiser comprar precisa ir à feira ou pedir indicação local — de propósito, para manter encontro humano.

Isabela registrou também o contraste entre vitrine de resort e barraca de artesã na mesma orla. Mesma praia, dois mundos de preço — e de conversa sobre corpo.

Entrevistadas entre 28 e 55 anos falaram de vergonha antiga de usar biquíni "simples" e de orgulho renovado depois da pandemia, quando praia virou refúgio local.

Crochê molhado pesa; artesã recomenda levar segunda peça de algodão para trocar depois do mar. Detalhe prático que raramente aparece em campanha.

A série continua em Maraú, com foco em renda. Envie relato visual para [email protected] se você costura ou compra artesanal no litoral baiano.

Leia também: crochê e feiras em Trancoso

Isabela conclui: artesanal não é sinônimo de "atrasado". É ritmo diferente — e moda praia brasileira perde muito quando ignora esse ritmo.